quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Resposta à Questão B: Factores que poderão explicar o aumento das taxas de actividade e de desemprego

A crescente entrada das mulheres no mercado de trabalho, a imigração e o aumento populacional são alguns dos factores que melhor explicam a subida da taxa de actividade.

O progresso tecnológico e o aumento de stock de capital são dois factores que fazem aumentar o número de postos de trabalho. Mas atenção que a inovação também pode contribuir para o desemprego porque torna obsoletos alguns postos de trabalho.

Com o aumento da taxa de actividade seria de esperar que os salários baixassem para que se possam contratar mais pessoas.

No entanto, por um lado, os patrões, geralmente, preferem pagar mais a quem já está na empresa do que contratar pessoal novo. A este salário dá-se o nome de salário de eficiência. É uma espécie de motivação para o trabalhador, o custo de perder aquele emprego torna-se maior devido à improbabilidade de encontrar outro tão bom.
O salário de eficiência é, portanto, um factor que contribui para o aumento do desemprego.

Por outro, lado, os sindicatos impedem a baixa de salários para manter o poder negocial dos trabalhadores.

Para além disso existe um salário mínimo que contribui para a rigidez dos salários.

De certa forma, os sindicatos defendem os interesses dos empregados à custa dos desempregados. No entanto as pessoas empregadas também suportam os custos do desemprego.
Um exemplo disso é o subsídio de desemprego. A duração e o montante do subsídio podem ser um grande motivador do desemprego, se ambos forem elevados.


Outros factores que contribuem para o aumento do desemprego são a falta de informação sobre o mercado de trabalho e a falta de incentivos para a procura de emprego.

Resposta à Questão B: Evolução da Taxa de Actividade e da Taxa de Desemprego

O que é a taxa de actividade?

É a percentagem da população que tem ou procura emprego, por isso, é calculada dividindo o número de activos pela população total. Para dar a percentagem multiplica-se por 100.


E a taxa de desemprego?


Diz-nos a percentagem de desempregados na população activa. Divide-se, portanto, o número de desempregados pelo número de activos e depois multiplica-se por 100.












Tanto a taxa de actividade como a taxa de desemprego têm vindo a subir nos últimos anos. De 2000 a 2006 verifica-se uma subida de 1,7 pontos percentuais na taxa de actividade e uma subida de 3,9 pontos percentuais na taxa de desemprego.

Como se pode verificar, o crescimento de número de desempregados é mais acentuado do que o aumento do número de pessoas activas.

Dados do INE estimam que no terceiro trimestre de 2007 a taxa de desemprego tenha subido para 7,9%, mais 0,5 pontos percentuais que a taxa do mesmo trimestre no ano passado (taxa homóloga).A taxa de actividade estima-se que tenha subido para 62,9%, ou seja, um crescimento em 0,3 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2006.

Resposta à Questão B: População Activa, População Inactiva, Desempregado e Empregado

Para se perceber de onde vêm as taxas de actividade e as taxas de desemprego é preciso, em primeiro lugar, perceber quem faz, afinal, parte da população activa e que quem faz parte da população inactiva. De seguida é importante apreender que o conceito de desempregado não é assim tão básico como isso e obedece a três condições.

Desempregado é o indivíduo, que num período de referência, não possui emprego, está activamente à procura de emprego dando provas disso no Centro de Emprego e está apto e disponível para trabalhar.

Empregados são todos aqueles que exercem uma actividade remunerada, ou seja, que têm um emprego.

À população activa correspondem todas as pessoas, que num período de referência, manifestam disponibilidade para trabalhar. Ou seja, os activos são a mão-de-obra disponível para produzir bens e serviços que entram no circuito económico.

Como se pode ver no diagrama, a população activa engloba os desempregados e os empregados.

Todos os indivíduos que, no período de referência, não estão empregados nem desempregados são considerados inactivos. Inclui todos aqueles que não estão aptos para trabalhar ou que não procuram emprego.

Se você não tem emprego mas também não está à procura não é desempregado, é inactivo.

Se lhe é oferecido um emprego mas não o aceita porque considera o salário insuficiente não é desempregado, é inactivo.

Se é estudante, reformado ou criança é inactivo.

Questão B: Desemprego

DN, 17 de Novembro de 2007

Desemprego cresce com mais gente disponível para trabalhar

A economia portuguesa continua a mostrar-se incapaz de dar resposta ao aumento da população activa, ou seja, o universo de pessoas que estão disponíveis para trabalhar. No terceiro trimestre deste ano, o número de empregados cresceu 0,3% em termos homólogos, menos do que a população activa, que aumentou 0,7%. Resultado: o número de desempregados subiu 6,5% para 444,4 mil, próximo do máximo histórico de 460 mil, atingido no 1º trimestre deste ano. No total, são mais 27 mil desempregados do que em igual período do ano passado.

Mas quem são estes novos desempregados? Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), são mais mulheres do que homens e a maioria tem mais de 45 anos. Embora o número de licenciados não seja negligenciável, são sobretudo pessoas com um baixo nível de qualificação que perderam o emprego no último ano. E quase todos trabalham no sector dos serviços.


Perguntas:

*Qual a diferença entre activos/inactivos, empregados/desempregados?

*Qual a evolução da taxa de actividade e da taxa de desemprego nos últimos anos, em Portugal?

*Que factores poderão explicar esse comportamento?

*Qual a evolução ocorrida em termos do perfil dos desempregados?


Resposta à Questão A

Qual a evolução da actividade económica desde o início do século XXI?

*estimativa do Banco de Portugal


No quadro e no gráfico, é apresentada a evolução do Produto Interno Bruto a preços constantes, entre 2000 e 2007, de acordo com dados do Banco de Portugal. Por preços constantes entende-se que o PIB é calculado tendo como base o Índice de Preço ao Consumidor de um determinado ano base (neste caso, 2000). Assim, é retirado ao PIB o efeito da inflação dos anos seguintes a 2000, obtendo-se o PIB real e não a preços do mercado/correntes.

O PIB regista um decréscimo acentuado de 2000 até 2003, altura em que atinge valores negativos (-1.2). Em 2004, verifica-se uma recuperação para 1.3, mas logo em 2005 volta a descer um ponto percentual. De 2005 até 2006, o PIB cresce de 0.3 para 1.2, mas a partir de 2006 abranda o crescimento.



Qual a evolução, nos últimos anos, do contributo da procura externa e das várias componentes da procura interna para o crescimento?


Em primeiro lugar, importa esclarecer quais as componentes que influem no Produto Interno Bruto.

O PIB é igual à soma da Procura Interna e das Exportações Líquidas.

Consumo Privado, Consumo Público e Investimentos são as três componentes que constituem a Procura Interna.

Já Exportações Líquidas é o valor da diferença entre Exportações e Importações

Nos últimos anos, os contributos da Procura Interna e das Exportações Líquidas para o PIB variam acentuadamente de ano para ano. O quadro e gráfico mostram essa evolução, de acordo com dados do Banco de Portugal.

O PIB registou decréscimos sucessivos de 2000 até 2003, atingindo -1,2. Em 2004, regista-se finalmente um crescimento do PIB, para 1,3. Este crescimento deveu-se essencialmente ao contributo da Procura Interna (2,2), já que as Exportações Líquidas revelam resultados negativos (-0,9).

Em 2005, o PIB sofre novo decréscimo (0,3), apesar de não chegar a valores negativos. A regressão do PIB deve-se à redução da Procura Interna (0,7), mas o facto de não atingir valores negativos justifica-se pela diminuição do contributo negativo das Exportações Líquidas, que passou de -0,9 para -0,3.

Em 2006, o PIB aumenta nove décimas de um ponto percentual, um crescimento que se deveu essencialmente ao contributo das Exportações Líquidas: mais de três quartos do crescimento do PIB foram responsabilidade das Exportações Líquidas, tal como diz a notícia do Público, baseada no Boletim Económico de Outono, publicado pelo Banco de Portugal, e como se constata no gráfico e na tabela.

Em 2007, ao contrário do que previa o Banco de Portugal no Boletim Económico do Verão, o contributo da Procura Interna foi o dobro do das Exportações Líquidas.


Questão A: Crescimento Económico

Público, 15.11.2007

Segundo Banco de Portugal, investimento recupera

Exportações já não são motor da retoma económica

Durou apenas um ano o período em que Portugal cresceu com o principal contributo a vir da procura externa líquida (exportações menos importações), o padrão considerado pelos economistas como o mais saudável para a economia portuguesa.

Ontem, no boletim económico de Outono, o Banco de Portugal manteve a sua estimativa de crescimento do PIB este ano em 1,8 por cento (a mesma que o Governo), mas corrigiu de forma significativa as componentes desse crescimento. Afinal as exportações vão crescer menos que o previsto e, em compensação, o investimento vai crescer mais. O resultado é que, da taxa de variação do PIB de 1,8 por cento, 1,2 pontos são garantidos pela procura interna e 0,6 pontos pela procura externa líquida.

Em 2006, mais de três quartos do crescimento tinham sido responsabilidade da evolução do nosso comércio com o exterior e, para este ano, o Banco de Portugal previa no boletim apresentado no Verão que os contributos da procura interna e externa fossem iguais.


Perguntas:

*Qual a evolução da actividade económica desde o início do século XXI?

*Qual a evolução nos últimos anos do contributo da procura externa e das várias componentes da procura interna para o crescimento?

Pensar Portugal

Final do semestre à porta e novo trabalho de Introdução à Economia para entregar. Desta vez, vamos versar sobre Macroeconomia.

Um grupo de cidadãos portugueses criou um movimento chamado “Pensar Portugal”. Sem ter uma ideologia política definida, esse movimento pretende ser um fórum de discussão aberto sobre o modelo económico-social de Portugal.

Para leigos e não só, o espaço que se segue pretende responder a algumas questões que se prendem com o Portugal económico. A discussão parte de notícias publicadas em jornais portugueses...

Crescimento económico, desemprego e inflacção são os temas em destaque este mês.

Inicie-se o debate.