Qual a importância para o país do controlo da taxa de inflação?
A inflação corresponde a um aumento generalizado dos preços.
A taxa de inflação é a variação percentual do Índice de Preços ao Consumidor.
A situação ideal para a economia do país é aquela em que os preços são estáveis ou crescem a um ritmo muito lento. A inflação deve ser mantida num nível inferior aos 2%. Samuelson explica que “a maior parte dos países procura portanto uma média virtuosa entre a completa estabilidade dos preços e uma inflação elevada, promovendo uma subida suave dos preços como a melhor forma de permitir que o sistema de preços funcione eficientemente”.
Sem controlo da taxa de inflação não pode existir estabilidade de preços nem do rendimento disponível das famílias. Estes factores influenciam o poder de compra, o consumo e a poupança privada.
Uma inflação muito alta reduz o poder de compra das pessoas, que vêem o seu dinheiro desvalorizar-se dia após dia: a mesma quantidade de dinheiro já não chega para comprar a mesma quantidade de um determinado produto.
Além disso, se os preços se tornam mais altos, a procura dos produtos nacionais no exterior vai reduzir-se, pelo que as exportações decrescem também e o país perde capacidade de competitividade nos mercados internacionais. Se as exportações descem, também o crescimento económico se ressentirá, já que as exportações líquidas são um dos factores que determina o PIB.
Se numa primeira fase, isto afecta apenas as empresas exportadoras, rapidamente se propaga a outras empresas dependentes das primeiras, que forneçam, por exemplo, matéria-prima.
Uma inflação muito alta gera desconfiança face ao dinheiro. Como diz Samuelson, “a rápida variação dos preços distorce as decisões económicas das empresas e dos indivíduos”. Em períodos inflacionistas, os investimentos retraem-se, pois as empresas e mesmo os particulares têm dificuldades em avaliar correctamente a rentabilidade dos mesmos. Como afirma António Eduardo Pereira, “quanto mais o nível da inflação se aproximar da taxa de juro líquida nominal que os aforradores podem obter como remuneração das suas poupanças, menor será a taxa de juro líquida real e, consequentemente, menor será o incentivo à poupança”.
Mas não é só o aumento generalizado dos preços que prejudica o nível de vida das pessoas. A descida geral do nível de preços, isto é, a deflação, também tem consequências negativas. Vejamos porquê: se os preços descem continuadamente, a procura cessa devido à expectativa criada nas pessoas de que no dia seguinte os preços estarão ainda mais baixos; as empresas perdem lucro e, como consequência, despedem pessoal, aumentando o desemprego…o crescimento económico regride.
Já preços estáveis criam confiança na economia, pelo que há mais investimentos das empresas, maior crescimento económico e mais emprego.