quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Resposta à Questão C: Controlo da inflação


Como será possível controlar a inflação?

O controlo da inflação é conduzido por um dos principais instrumentos da Macroeconomia: a política monetária. Nos países europeus que aderiram ao €uro, a política económica é levada a cabo pelo Banco Central Europeu, que é quem efectua a gestão da moeda, das taxas de juro e do sistema bancário.


O controlo da moeda em circulação é fundamental para a estabilidade dos preços. Se houver grande circulação de moeda, há maior poder de compra e, assim, aumenta a inflação. Neste caso, a política monetária centrar-se-á em aumentar as taxas de juro, que fará diminuir os pedidos de crédito e, logo, a procura de dinheiro. O investimento e o consumo caem. Com menos procura, a inflação desce.

Mas suponhamos que estamos perante uma queda da actividade económica. Neste caso, a política monetária actuará no sentido da redução das taxas de juro, que aumentará a circulação de moeda, estimulando o consumo, o crescimento do produto, a actividade económica.

Resposta à Questão C: Evolução da Taxa de Inflação no Século XXI

Qual a evolução taxa de inflação no século XXI?

O quadro e o gráfico mostram a evolução da Taxa de Inflação, de 2000 a 2006, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Depois de registar um acentuado aumento de 2,9 para 4,4%, a inflação tem vindo a descer desde 2001, sendo o decréscimo mais acentuado o que ocorreu entre 2003 e 2004, de nove décimas de um ponto percentual. De 2004 para 2005, a redução foi quase nula (apenas uma décima de um ponto percentual), prevendo o novo aumento que se verifica a partir de 2005, de 2,3 para 3,1.


Quais os sectores da economia que foram os responsáveis por essa evolução e quais os que contrariaram essa tendência?

Para se proceder à análise dos principais sectores que contribuíram para a formação da taxa de inflação homóloga (taxa que compara o nível do IPC de um mês com o do mesmo mês no ano anterior), usaram-se os valores calculados em Setembro dos vários anos, já que a referência que nos é dada na notícia do Jornal de Negócios é a do contributo dos vários sectores no mês de Setembro. Os dados são do INE.

Em 2003, a maior contribuição para a formação da taxa da inflação homóloga foi dada por três sectores: Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, Transportes e Restaurantes e hotéis (no conjunto, contribuíram para cerca de 62% do índice total).

A única contribuição negativa foram as Comunicações.

O comportamento dos Transportes e das Comunicações mantem-se, com algumas excepções, nos anos seguintes.

Em Setembro de 2004, o maior contributo foi dado pelos Transportes e pelos Restaurantes e hotéis, que representaram cerca de 47% da variação homóloga total. A maior contribuição negativa foi dada pelo Vestuário e calçado, mas também pelas Comunicações, ainda que de forma menos acentuada.

Em Setembro de 2005, o maior contributo para a formação do IPC foi dado pelos Transportes (54%). O único contributo negativo foi o dos Produtos alimentares e bebidas alcoólicas.

Em Setembro de 2006, os sectores que mais influíram na variação do IPC foram os Produtos Alimentares e bebidas não alcoólicas, Vestuário e calçado e Transportes, com uma contribuição de 53%.

As únicas contribuições negativas foram dadas pelo Vestuário e calçado e pelas Comunicações, que justificaram cerca de 25% na variação do IPC.

De acordo com dados do INE, a Saúde, Habitação, Àgua, Electricidade, Gás e outros combustíveis e os Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas justificaram, no seu conjunto, cerca de 52, 4% da variação da taxa de inflação homóloga.

A única contribuição negativa foi dada pelo sector das Comunicações, tal como tinha acontecido, em 2006. Em 2007, acontece pela primeira vez, desde 2003, de o sector dos Transportes não estar entre os que mais contribuíram.

Resposta à Questão C: Importância do Controlo da Taxa de Inflação

Qual a importância para o país do controlo da taxa de inflação?

A inflação corresponde a um aumento generalizado dos preços.

A taxa de inflação é a variação percentual do Índice de Preços ao Consumidor.

A situação ideal para a economia do país é aquela em que os preços são estáveis ou crescem a um ritmo muito lento. A inflação deve ser mantida num nível inferior aos 2%. Samuelson explica que “a maior parte dos países procura portanto uma média virtuosa entre a completa estabilidade dos preços e uma inflação elevada, promovendo uma subida suave dos preços como a melhor forma de permitir que o sistema de preços funcione eficientemente”.

Sem controlo da taxa de inflação não pode existir estabilidade de preços nem do rendimento disponível das famílias. Estes factores influenciam o poder de compra, o consumo e a poupança privada.

Uma inflação muito alta reduz o poder de compra das pessoas, que vêem o seu dinheiro desvalorizar-se dia após dia: a mesma quantidade de dinheiro já não chega para comprar a mesma quantidade de um determinado produto.

Além disso, se os preços se tornam mais altos, a procura dos produtos nacionais no exterior vai reduzir-se, pelo que as exportações decrescem também e o país perde capacidade de competitividade nos mercados internacionais. Se as exportações descem, também o crescimento económico se ressentirá, já que as exportações líquidas são um dos factores que determina o PIB.

Se numa primeira fase, isto afecta apenas as empresas exportadoras, rapidamente se propaga a outras empresas dependentes das primeiras, que forneçam, por exemplo, matéria-prima.

Uma inflação muito alta gera desconfiança face ao dinheiro. Como diz Samuelson, “a rápida variação dos preços distorce as decisões económicas das empresas e dos indivíduos”. Em períodos inflacionistas, os investimentos retraem-se, pois as empresas e mesmo os particulares têm dificuldades em avaliar correctamente a rentabilidade dos mesmos. Como afirma António Eduardo Pereira, “quanto mais o nível da inflação se aproximar da taxa de juro líquida nominal que os aforradores podem obter como remuneração das suas poupanças, menor será a taxa de juro líquida real e, consequentemente, menor será o incentivo à poupança”.

Mas não é só o aumento generalizado dos preços que prejudica o nível de vida das pessoas. A descida geral do nível de preços, isto é, a deflação, também tem consequências negativas. Vejamos porquê: se os preços descem continuadamente, a procura cessa devido à expectativa criada nas pessoas de que no dia seguinte os preços estarão ainda mais baixos; as empresas perdem lucro e, como consequência, despedem pessoal, aumentando o desemprego…o crescimento económico regride.

Já preços estáveis criam confiança na economia, pelo que há mais investimentos das empresas, maior crescimento económico e mais emprego.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Questão C: Inflação

Jornal de Negócios, 15 de Outubro 2007

Inflação permanece nos 2,1% em Setembro

A taxa de inflação em Portugal ficou inalterada nos 2,1% em Setembro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A Saúde, a Habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis e os Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas foram as que apresentaram as contribuições positivas mais significativas para a formação da taxa de variação homóloga, justificando cerca de 52,4% da variação registada pelo IPC."A única contribuição negativa verificou-se ao nível das Comunicações. As restantes classes contribuíram com sinal positivo para a formação da taxa de variação homóloga"; refere o INE.

Perguntas:

*Qual a importância para o país do controlo da taxa de inflação?

*Qual a evolução dessa taxa no século XXI?

*Quais os sectores da economia que foram os responsáveis por essa evolução e quais os que contrariaram essa tendência?

*Como será possível controlar a inflação?

Resposta à Questão B: A evolução do perfil do desempregado

Sexo
Segundo dados do INE, ocorreu um aumento do número de mulheres desempregadas superior ao aumento do número de homens desempregados nos últimos anos.

Habilitações
Ao nível das habilitações o aumento mais significativo regista-se nos licenciados. Já o número de desempregados com um nível de escolaridade correspondente ao ensino secundário e pós- secundário diminuiu.

Idade
O desemprego dos jovens dos 15 aos 24 anos diminuiu, enquanto nas outras idades o desemprego aumentou, especialmente nos desempregados com mais de 45 anos.

Sector
O número de desempregados há procura do novo emprego aumentou em 31,1 mil indivíduos em relação ao ano passado, 28 mil dos quais são provenientes do sector terciário.


Taxa de desemprego por sexo

Resposta à Questão B: Factores que poderão explicar o aumento das taxas de actividade e de desemprego

A crescente entrada das mulheres no mercado de trabalho, a imigração e o aumento populacional são alguns dos factores que melhor explicam a subida da taxa de actividade.

O progresso tecnológico e o aumento de stock de capital são dois factores que fazem aumentar o número de postos de trabalho. Mas atenção que a inovação também pode contribuir para o desemprego porque torna obsoletos alguns postos de trabalho.

Com o aumento da taxa de actividade seria de esperar que os salários baixassem para que se possam contratar mais pessoas.

No entanto, por um lado, os patrões, geralmente, preferem pagar mais a quem já está na empresa do que contratar pessoal novo. A este salário dá-se o nome de salário de eficiência. É uma espécie de motivação para o trabalhador, o custo de perder aquele emprego torna-se maior devido à improbabilidade de encontrar outro tão bom.
O salário de eficiência é, portanto, um factor que contribui para o aumento do desemprego.

Por outro, lado, os sindicatos impedem a baixa de salários para manter o poder negocial dos trabalhadores.

Para além disso existe um salário mínimo que contribui para a rigidez dos salários.

De certa forma, os sindicatos defendem os interesses dos empregados à custa dos desempregados. No entanto as pessoas empregadas também suportam os custos do desemprego.
Um exemplo disso é o subsídio de desemprego. A duração e o montante do subsídio podem ser um grande motivador do desemprego, se ambos forem elevados.


Outros factores que contribuem para o aumento do desemprego são a falta de informação sobre o mercado de trabalho e a falta de incentivos para a procura de emprego.

Resposta à Questão B: Evolução da Taxa de Actividade e da Taxa de Desemprego

O que é a taxa de actividade?

É a percentagem da população que tem ou procura emprego, por isso, é calculada dividindo o número de activos pela população total. Para dar a percentagem multiplica-se por 100.


E a taxa de desemprego?


Diz-nos a percentagem de desempregados na população activa. Divide-se, portanto, o número de desempregados pelo número de activos e depois multiplica-se por 100.












Tanto a taxa de actividade como a taxa de desemprego têm vindo a subir nos últimos anos. De 2000 a 2006 verifica-se uma subida de 1,7 pontos percentuais na taxa de actividade e uma subida de 3,9 pontos percentuais na taxa de desemprego.

Como se pode verificar, o crescimento de número de desempregados é mais acentuado do que o aumento do número de pessoas activas.

Dados do INE estimam que no terceiro trimestre de 2007 a taxa de desemprego tenha subido para 7,9%, mais 0,5 pontos percentuais que a taxa do mesmo trimestre no ano passado (taxa homóloga).A taxa de actividade estima-se que tenha subido para 62,9%, ou seja, um crescimento em 0,3 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2006.