Qual a evolução taxa de inflação no século XXI?


O quadro e o gráfico mostram a evolução da Taxa de Inflação, de 2000 a 2006, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Depois de registar um acentuado aumento de 2,9 para 4,4%, a inflação tem vindo a descer desde 2001, sendo o decréscimo mais acentuado o que ocorreu entre 2003 e 2004, de nove décimas de um ponto percentual. De 2004 para 2005, a redução foi quase nula (apenas uma décima de um ponto percentual), prevendo o novo aumento que se verifica a partir de 2005, de 2,3 para 3,1.
Quais os sectores da economia que foram os responsáveis por essa evolução e quais os que contrariaram essa tendência?
Para se proceder à análise dos principais sectores que contribuíram para a formação da taxa de inflação homóloga (taxa que compara o nível do IPC de um mês com o do mesmo mês no ano anterior), usaram-se os valores calculados em Setembro dos vários anos, já que a referência que nos é dada na notícia do Jornal de Negócios é a do contributo dos vários sectores no mês de Setembro. Os dados são do INE.
Em 2003, a maior contribuição para a formação da taxa da inflação homóloga foi dada por três sectores: Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, Transportes e Restaurantes e hotéis (no conjunto, contribuíram para cerca de 62% do índice total).
A única contribuição negativa foram as Comunicações.
O comportamento dos Transportes e das Comunicações mantem-se, com algumas excepções, nos anos seguintes.
Em Setembro de 2004, o maior contributo foi dado pelos Transportes e pelos Restaurantes e hotéis, que representaram cerca de 47% da variação homóloga total. A maior contribuição negativa foi dada pelo Vestuário e calçado, mas também pelas Comunicações, ainda que de forma menos acentuada.
Em Setembro de 2005, o maior contributo para a formação do IPC foi dado pelos Transportes (54%). O único contributo negativo foi o dos Produtos alimentares e bebidas alcoólicas.
Em Setembro de 2006, os sectores que mais influíram na variação do IPC foram os Produtos Alimentares e bebidas não alcoólicas, Vestuário e calçado e Transportes, com uma contribuição de 53%.
As únicas contribuições negativas foram dadas pelo Vestuário e calçado e pelas Comunicações, que justificaram cerca de 25% na variação do IPC.
De acordo com dados do INE, a Saúde, Habitação, Àgua, Electricidade, Gás e outros combustíveis e os Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas justificaram, no seu conjunto, cerca de 52, 4% da variação da taxa de inflação homóloga.
A única contribuição negativa foi dada pelo sector das Comunicações, tal como tinha acontecido, em 2006. Em 2007, acontece pela primeira vez, desde 2003, de o sector dos Transportes não estar entre os que mais contribuíram.